quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Prólogo

Olá pessoal!

Este é o primeiro post do blog e por isso gostaria de esclarecer alguns aspectos relacionados à proposta do trabalho:

A história se passa em um futuro alternativo, portanto, não necessariamente refletirá a cultura e o sistema político da sociedade atual e, principalmente, não tem a intenção de prever o futuro tecnológico da sociedade - tanto no que diz respeito ao tempo em que tais tecnologias estarão disponíveis quanto a sua relevância para a sociedade.

Prólogo

A ideia de um mundo virtual onde os humanos poderiam viver no futuro fora apresentada pela primeira vez no ano de 2030, no congresso de Pesquisas Avançadas em Inteligência Artificial e Realidade Virtual. Naquele momento, a ideia parecera utopia; os cientistas responsáveis pela pesquisa foram taxados de visionários, sonhadores, e até mesmo inconsequentes por pensar em tal coisa. Afinal, o que a humanidade necessitava naquele momento era descobrir uma forma de reduzir o avanço do aquecimento global e encontrar uma maneira de acabar com a escassez de recursos naturais - e os estudos em nanotecnologia não eram avançados o suficiente para amenizar o problema.

Entretanto, Wegner (líder do grupo de pesquisa) sabia que não podia permitir que a sua pesquisa fosse abortada. A humanidade não tinha outra escolha: deveriam aceitar e se adaptar a uma nova forma de viver, ou perecer até que os recursos naturais acabassem; as pessoas apenas não estavam preparadas para admitir que viver em um mundo virtual era a única alternativa contra à extinção.

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Em 2040, em seu laboratório, Wegner e sua equipe - que estava reduzida à dois pesquisadores auxiliares, devido à má fama que o cientista adquirira após o congresso de 2030 - conseguiram realizar o que tanto almejavam: fazer o upload de uma mente humana para o meio digital, a mente de Wegner. O cientista agora vivia em dois mundos: o mundo concreto, onde Wegner era apenas um pesquisador com um corpo frágil e cheio de limitações; e o mundo virtual, onde ele era quem ou o quê queria ser, limitando-se apenas à sua imaginação.

Milhares de exabytes (1.000.000.000.000.000.000 bytes) eram necessários para armazenar todas as informações contidas no cérebro de Wegner; tanto o seu caráter, quanto a sua “alma”, bem como o seu raciocínio eram emulados com o auxílio de milhares de microprocessadores quânticos. Por estar armazenado no mesmo espaço virtual que milhões de arquivos e tendo acesso à internet, Wegner possuía mais conhecimento do que qualquer humano jamais pudera, e era capaz de encontrar informações em menos de um piscar de olhos; as dimensões de sua capacidade de raciocínio estão fora dos limites de compreensão de qualquer um - inclusive a de seus próprios colegas de pesquisa, que estão espantados com o resultado de seu árduo trabalho. Bastava agora que a invenção fosse revelada ao resto do mundo.

Ainda no mesmo ano, a equipe escreveu um artigo a um dos mais conceituados periódicos de pesquisa e desenvolvimento na área da computação quântica, a famosa revista Computer Now. Na publicação, os pesquisadores apresentaram os resultados da pesquisa e, de forma intrigante e audaz, demonstraram um pouco do que a sua criação é capaz de fazer - ou até mesmo ser.

A comunidade acadêmica ficou em estado de choque: acreditavam que o projeto havia sido abandonado após o “fracasso” de Wegner no fatídico congresso de 30. Ao mesmo tempo, queriam saber se o artigo era verídico ou se era uma fraude, e para tanto, solicitaram aos pesquisadores que fizessem uma demonstração da tecnologia no congresso anual (o mesmo congresso em que a ideia fora apresentada pela primeira vez). Embora soubessem que a dúvida pairava entre os outros pesquisadores da área - e o medo dentre os líderes de movimentos anti-tecnicistas era evidente, Wegner e sua equipe estavam confiantes, e decidiram aceitar o “convite”.

No primeiro dia do congresso (o dia em que a demonstração estava prevista), milhares de pesquisadores, estudiosos e entusiastas estavam presentes. Esperavam ansiosos para conhecer a tecnologia capaz de revolucionar o modo de vida da humanidade. Ao chegar a hora da apresentação, os pesquisadores Levi e Lillian (parceiros de Wegner) anunciaram algo que ninguém esperava ouvir: Wegner havia falecido há dois dias, devido a um problema crônico de coração. Ao ouvir tal notícia, o público ficou estarrecido; o burburinho das conversas ressoava no salão principal do congresso. O mediador do evento teve que solicitar silêncio aos presentes, para que os pesquisadores pudessem dar continuidade à apresentação.

Aos poucos, as pessoas foram se acalmando e deixando de falar em voz alta, permitindo assim, que Lillian pudesse voltar a falar. Entretanto, assim que o mediador passou a voz aos pesquisadores, algo inesperado aconteceu: a imagem projetada no telão de apresentações fora alterada. O rosto de um homem de meia idade substituira o slide do título da apresentação que havia sido preparado por Levi. Sua resolução eram tão alta, tão nítida, que até mesmo os poros que habitavam o rosto marcado daquele homem estavam visíveis. Era Wegner.

O público ainda se perguntava sobre o que estava acontecendo quando o rosto se mexera e dissera “Boa noite. Àqueles que estão a se perguntar se sou Wegner, digo: sim, sou eu mesmo. Àqueles que estão se perguntando se isso é algum tipo de brincadeira, digo: não, não é brincadeira. E também não se trata de uma transmissão de vídeo online. Como meus colegas anunciaram, estou morto. Morri na quinta-feira, de tarde, enquanto assistia um filme em minha casa. Melhor dizendo, não estou morto. Na realidade, estou vivo; mais vivo, mais inteligente, mais forte do que jamais estive. Estou vivo. Digam olá ao Novo Mundo”. O breve discurso de Wegner dera início a um rebuliço no congresso. O público estava furioso com a apresentação. Afinal, suas expectativas eram ver uma nova tecnologia capaz de alterar a maneira em que os humanos vivem, e aquilo era uma farsa sem tamanho. Como podiam ter acreditado novamente em Wegner? Era óbvio que o pesquisador fracassado os decepcionaria novamente, viraria alvo de zombarias sem fim no mundo acadêmico.

Ao menos era isso que passava na cabeça de todos os espectadores antes da demonstração. Todos esperavam por uma demonstração, e foi isso que Wegner os deu. Wegner aparecera em todo o lugar: smartphones, smartwatches, laptops, videogames - em todo e qualquer aparelho que estivesse conectado à nuvem, todos ao mesmo tempo. “Não se assustem. Este é o futuro. Vocês também serão capazes de fazer isso em breve. O Novo Mundo pode ser o seu lar também. Nele, todos terão acesso a tudo o que desejarem - um mundo justo e livre. Mas para isso, o plano de minha equipe deve ser executado à risca”.

Em menos de uma hora, todo o mundo ficou sabendo do advento do Novo Mundo, tamanha fora a repercussão da apresentação de Wegner. E em menos tempo do que se poderia imaginar, o mundo aderiu à tecnologia - não como se houvesse escolha, uma vez que a tecnologia se impunha e se fazia necessária a cada ser humano. Era questão de tempo para que o projeto se expandisse e que toda a humanidade fosse subida ao Novo Mundo.
 
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Pouco tempo depois, apenas os que não concordavam com a ideia de viver no meio digital estavam vivendo somente fora do Novo Mundo. Ou seja, aqueles que eram contra e que preferiam lutar até a morte do que ceder à nova tecnologia. A Resistência Anti-Ciborgue. Entre eles, estava Janete, uma jovem de 21 anos.

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Janete é uma defensora da vida humana do jeito que ela é: prazerosa e efêmera. Seu hobbie preferido é ser voluntária em campanhas em pról da natureza - um dos principais motivos para se opor ao Novo Mundo, uma vez que o preço a se pagar pela “autosustentabilidade” do mundo virtual inclui a destruição da vida não virtual - e isso não poderia acontecer. Janete tem participado ativamente de um movimento conhecido como “anti-ciborgue” e está determinada a ser uma das peças-chave para impedir que o Novo Mundo se estabeleça definitivamente.

Continua na próxima postagem!